29 outubro, 2008

dúvida.

de que vale a entrega essa
se o beijo é frio,
se nada muda
e não me arrepia?

de que adianta ter nos olhos
tuas cores, teus traços,
querer ficar nos teus braços
se no fim é tudo o de sempre?

de que serve teu corpo no meu
e tuas mãos me fazendo o desenho
se pela manhã, num sopro avoado qualquer,
te perco sempre pra um mundo ríspido e afobado?

digo que vale, e que adianta, e que serve.
que nunca foi assim e nem o será.
o beijo é, em verdade, sempre quente.
os braços, seguros e as mãos, conscientes.


mas como posso - porque quero - essa entrega,
se o mundo de fato te leva num embalo invisível e eterno?

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