era frio e depois. as borboletas derramavam o quarto com 'plins' daqueles brilhantes, mas não que fosse audível. não era, se assim não se quisesse. eu não queria - acho - mas insisitiam em entrar pelos ouvidos e poros e, quando vi, percorriam meu mesmo e estavam no estômago. quero dizer, a sensação voltara depois de tudo e comigo era assim: acontecia de súbito e de modo algum se forçava. quisera eu fazer escolha, mas não, não posso e quero o tempo todo junto, se não dói! vou pro meio da rua e grito em silêncio e fico à beira de ataques dos nervos. preciso por pra fora as borboletas, cochichantes em pares colidindo em meu estômago. essa espera acaba comigo - e as borboletas multiplicam-multiplicam-multiplicam em infinitas pê-gês - e vou explodir de borboletas, acho, em segundos. aqueles segundos bordô, vermelho-sangue como um corte, que agonia!, até amanhã então me matariam. mas pensar no tempo depois dos segundos, depois de depois, me põe riso no rosto, colorido como já não era - desbotou sem borboletas, surpresas e inesperados. o coração batia rápido, acho que as borboletas iam pra lá também e me escapavam pelas entranhas pra todo mundo ver: e era bonito. acho que o amor nem move o mundo nada. as borboletas é que movem.
nota: ando sem borboletas há tempos.
26 julho, 2007
22 julho, 2007
ilusões
estava na janela quando ele chegou em casa. ficar ali parada, observando a irrefreável selva de pedras lá embaixo, ajudava-a a pensar. a cama permanecia desarrumada e a xícara vazia de café estava sobre a mesinha. ele disse que ia fazer mais café, perguntou se ela também queria. disse que sim sem muita convicção, como quem não dá atenção à pergunta. vinham da cozinha duas xícaras meio-cheias de café. "meio-vazias", pensou. ele a abraçou e deu-lhe um beijo ao qual ela respondeu sem muito entusiasmo. largou a xícara sobre a mesinha e acendeu um cigarro, voltando a olhar pela janela. ele perguntou se ela não tinha saído de casa naquele dia. respondeu que não. ele disse um "que coisa" e começou a contar qualquer coisa sobre a matéria que lhe tinham dado para escrever no estágio. por mais que tentasse, não conseguia prestar atenção no que ele dizia. passara o dia pensando sobre eles, sobre o que sentia. sentia-se mal, enganando a ele e a si mesma, mas toda vez que lembrava de como ele era uma pessoa maravilhosa e de tudo que tiveram juntos, desistia da idéia e não mencionava qualquer coisa. naquele dia, porém, acordara com um sentimento de vazio que quase lhe rasgava o peito. resolveu falar, desistiu, resolveu de novo umas quantas vezes. para dificultar, desde que chegara em casa ele só fizera lhe fazer agrados. interrompeu abruptamente a fala do namorado dizendo que precisava de um tempo. lhe escapara de repente e não pôde nem pensar duas vezes: quando viu, já tinha dito. ele, incrédulo, quis saber por que e se havia outra pessoa. havia, mas não havia. havia, sim, em pensamento, mas não de fato. respondeu que não, que a única pessoa era ele, mas que precisava de um tempo e de certeza. sentiu que o choro tingia-lhe a voz de amarelo e, então, abraçou-o como já não fazia havia tempos. ele, ao recobrar a fala, disse que entendia, que ia então passar uns dias na casa de um amigo. fez que sim com a cabeça e lhe assistiu juntar uma meia dúzia de roupas, a escova de dentes e o celular. abraçaram-se forte ao lado da porta já aberta. pediu desculpas e ele disse que não havia nada a ser desculpado, que ela não havia feito nada de errado. fechou a porta e voltou à janela. acendeu mais um cigarro, olhou em volta, suspirou. apagou o cigarro, pegou o porta-retratos de cima da mesinha e jogou longe. sentia-se a pior das pessoas, a mais egoísta e burra. pensou em ligar, mas não conseguiu. ficou ali, sozinha, pensando em como ele quase a fazia esquecer quem a fazia manter acesas todas as incertezas. ligou e pediu pra ele voltar. assim que ele chegou, se abraçaram, conversaram e ele a fez se sentir tão bem que ela queria parar o tempo ali. acomodou o corpo junto ao dele na cama quentinha: embora não tivesse as tais certezas, se sentia muito bem assim.
17 julho, 2007
tensão.
era uma vez uma menina que cansou de ser feita de idiota
(e de fazer simulado) e mandou todos tomarem no cu.
fim.
(como eu tô poética hoje. perceberam?)
(e de fazer simulado) e mandou todos tomarem no cu.
fim.
(como eu tô poética hoje. perceberam?)
15 julho, 2007
proximidade
adentramos então, ébrios os dois, o apartamento - e era uma sexta fria à noite. segurou a minha mão e, desde então, foi sempre assim; os cabelos misturando-se aos lençóis e não sabíamos de mundo e nem dos dias e o tempo era incontável, desprezível.
sem remorso algum soubemos de nós: e só.
na terça de sol pós-garrafas de vinho, pela manhã grafado no espelho em meio-rosa, meio-vermelho: "é você" e o coração. dormes e saio vestida de ti, teu cheiro da pele, teu gosto da boca e lembrança. e é assim que caio, num sopro de volta, em rotina e mundo de sempre.
e quem dera tivesse algum dia sido assim, simples e só assim.
sem remorso algum soubemos de nós: e só.
na terça de sol pós-garrafas de vinho, pela manhã grafado no espelho em meio-rosa, meio-vermelho: "é você" e o coração. dormes e saio vestida de ti, teu cheiro da pele, teu gosto da boca e lembrança. e é assim que caio, num sopro de volta, em rotina e mundo de sempre.
e quem dera tivesse algum dia sido assim, simples e só assim.
14 julho, 2007
parada de ônibus
senhor: menina, que ônibus eu pego pra ir lá perto do nacional na assis brasil? aquele ônibus que faz a volta lá..
eu: o itu coinma, ele acabou de passar... mas o senhor pode pegar o que eu pegar, descer onde eu descer e pegar o T6 lá.
senhor: ah, acho que eu vou fazer isso então. até vir outro vai demorar né?
eu: acho que sim.
senhor: ah pois é.. to ficando meio esquecido já. com 96 anos a gente já não é mais criança hehe
espero que, se eu chegar aos noventa e seis, eu seja que nem ele.
eu: o itu coinma, ele acabou de passar... mas o senhor pode pegar o que eu pegar, descer onde eu descer e pegar o T6 lá.
senhor: ah, acho que eu vou fazer isso então. até vir outro vai demorar né?
eu: acho que sim.
senhor: ah pois é.. to ficando meio esquecido já. com 96 anos a gente já não é mais criança hehe
espero que, se eu chegar aos noventa e seis, eu seja que nem ele.
21 maio, 2007
hey, you!
blog novo, vida nova? é, não exatamente isso, mas quase.
cansei de escrever bonitinho, seguindo o padrão e a norma culta da língua (da qual os professores falam toda segunda-feira, pelo menos duas vezes), de fazer poesia bonitinho, tudo no lugar. blé, chega. agora eu escrevo qualquer coisa que der vontade e quando der vontade :) rima, música, prosa, poesia, bobagem total. e escrevo com letra minúscula em começo de frase, sim ;P eu gosto assim. "deixa a menina sambar em paz".
então,
ando meio apática ou algo do gênero, eu sei. talvez seja o cansaço ou, quem sabe, a influência de Mercúrio no meu signo(?) er, sei lá, dizem cada coisa por aí :P tem coisas incomodando de um jeito estranho e diferente. algo se perdeu por aí, sacam? "no meu mundo um troço qualquer morreu num corte lento e profundo entre você e eu". é por aí. o estranho é que a parte incômoda não é o sentir falta (quer dizer, de certa forma eu sinto. de certa parte eu sinto), mas sim uma quase decepção ou remorso por sentir a coisa se perdendo e não fazer nada, nem ficar triste. ahn que tão confuso e emo :P mas como diria um dos professores de química, "tá, nem tô". (nota: eu to virando nerd, perceberam? tudo tem a ver com a aula e se eu não estudo eu entro em pânico! essa coisa de ser vestibulanda vai fundir meu cérebro ainda antes de outubro :P)
enfim, eu preciso aprender a deixar as coisas acontecerem e não me estressar. e eu devia, de vez em quando, ser bem egoísta, fria e calculista pra variar :) mas é difííícil, né.
cansei de escrever bonitinho, seguindo o padrão e a norma culta da língua (da qual os professores falam toda segunda-feira, pelo menos duas vezes), de fazer poesia bonitinho, tudo no lugar. blé, chega. agora eu escrevo qualquer coisa que der vontade e quando der vontade :) rima, música, prosa, poesia, bobagem total. e escrevo com letra minúscula em começo de frase, sim ;P eu gosto assim. "deixa a menina sambar em paz".
então,
ando meio apática ou algo do gênero, eu sei. talvez seja o cansaço ou, quem sabe, a influência de Mercúrio no meu signo(?) er, sei lá, dizem cada coisa por aí :P tem coisas incomodando de um jeito estranho e diferente. algo se perdeu por aí, sacam? "no meu mundo um troço qualquer morreu num corte lento e profundo entre você e eu". é por aí. o estranho é que a parte incômoda não é o sentir falta (quer dizer, de certa forma eu sinto. de certa parte eu sinto), mas sim uma quase decepção ou remorso por sentir a coisa se perdendo e não fazer nada, nem ficar triste. ahn que tão confuso e emo :P mas como diria um dos professores de química, "tá, nem tô". (nota: eu to virando nerd, perceberam? tudo tem a ver com a aula e se eu não estudo eu entro em pânico! essa coisa de ser vestibulanda vai fundir meu cérebro ainda antes de outubro :P)
enfim, eu preciso aprender a deixar as coisas acontecerem e não me estressar. e eu devia, de vez em quando, ser bem egoísta, fria e calculista pra variar :) mas é difííícil, né.
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