foi entrando assim, sem mais nem menos, botando a porta abaixo e fazendo estardalhaço. largou as coisas em qualquer lugar, de qualquer jeito, e não se acanhou nem um pouco de ir até a geladeira e se servir de qualquer coisa para beber. tirou as almofadas e as tralhas-decorativas do lugar, tomou conta da minha cama, assistiu aos meus filmes, ouviu as minhas músicas. pegou minhas palavras para si e me encheu das suas como quem enche um copo de água. foi tanta a bagunça que, de repente, eu não sabia encontrar mais nada, nem mesmo meus próprios 'achos'.
sem meus achos costumo ficar meio perdida, meio sem saber das coisas de mim. fico sem saber se gosto ou se nem tanto, se quero ou se não faço tanta questão, se sim ou se não. me pego fazendo coisas bestas e fico com vergonha de mim mesma, perco a atenção e a capacidade de ser racional. tento, então, empilhar de volta os livros, guardar os discos e botar as almofadas no lugar, mas me parece esforço inútil: sempre depois de uns dois ou três tempos, no máximo, vem de volta misturando tudo e fazendo o mundo aqui dentro girar, como uma roda-gigante de parque que nunca desliga. entro em pânico, morro de dúvidas e não sei bem como agir; mas, ao mesmo tempo, me enche de ternura e de cor essa bagunça devastadora que me tira o chão. digo como única certeza que não há como adivinhar o logo: sempre fujo um tanto pro azul-sem-perigos.
tenho medo de revoluções internas.
Um comentário:
eu gosto da forma como tu escreve e descreve as coisas ;)
ganhastes um leitor haha
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