23 setembro, 2013

Tem um mundo de expectativas nas escadarias do teu prédio 

Tem um mundo de expectativas nas escadarias do teu prédio. Cada degrau alimenta minha vontade de chegar lá em cima: será que dessa vez te vejo com a camiseta preferida ou com aquela bermuda do pijama que eu adoro quando tu usa dentro de casa? Será que dessa vez saindo do banho, enrolado na toalha, e molhando toda a minha cara quando me der um beijo? Ou jogado no sofá e me estendendo os braços pra ir deitar ali contigo? Tem um mundo de expectativas nas escadarias do teu prédio. Cada lance me deixa mais perto de me sentir confortável com a cabeça descansada no teu peito. Tem coisas que eu acho difícil não querer dividir contigo. Mas, ao mesmo tempo, me bate um mutismo seletivo quando eu tenho que falar dessas coisas bobas declaradas do meu coração.

Meu campo de visão de mim mesma no espelho do teu banheiro é de mais ou menos 15 cm, se eu ficar na ponta dos pés. Isso significa que eu posso ver mais ou menos a metade da minha cabeça. Eu nunca mudaria o espelho de lugar, porque às vezes tu vem por trás de mim e me abraça com as mãos na minha barriga enquanto eu escovo os dentes de manhã. E o espelho tem o lugar perfeito, milimetricamente ajustado, pra eu te enxergar fazendo isso, que é o suficiente pra me fazer sorrir toda suja de espuma da pasta de hortelã.

Não sei se tu te enxerga no espelho do banheiro ou depois da porta depois da escadaria do teu prédio do mesmo jeito que eu te enxergo. Eu queria que sim. Aí tu poderia sentir sem eu precisar explicar e sem o mutismo seletivo aparecer e sem tu nunca saber como eu me sinto em cada fração de segundo contigo que é assim:
com o coração como se eu subisse correndo o mais rápido possível uma escadaria com um mundo de lances de expectativas.

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